(In) Diferenças

sábado, julho 24, 2010

Eu tinha 9 anos quando o Muro de Berlim caiu. Lembro bem daquela noite, o repórter falando em frente a um paredão em ruínas e as pessoas subindo com marretas ou apenas com as mãos, com sorrisos alegres em meio às lágrimas. Na época eu não entendia que alegria toda era aquela por ver um muro cair. Depois que eu entendi, já na faculdade, a importância daquele muro para o mundo, foi que eu me toquei que tinha assistido a um fato histórico notável.






Quando eu nasci existia a Guerra Fria. Existia governo militar no Brasil. Quando eu nasci, a França ainda admitia a guilhotina. No dia em que eu nasci, descobriram o asteróide Kron 2796... Por que isso importa? Porque daqui mil anos ninguém vai lembrar de nada disso. O mundo é movido por um tempo que está se acelerando, visto que a mídia está em todos os lugares, o mundo é acessível na tela do computador ou do celular. Quem precisa de datas?

As pessoas normais precisam das datas. Precisamos no situar no espaço, mas também no tempo. Por que essa urgência? É preciso sentir que fazemos parte de algo. O que é importante nunca muda, mas sempre existirão prioridades, sempre existirão coisas que não podemos fazer ou lugares em que não podemos estar.

É assim que eu vejo a conquista do espaço. O funil vai permitir que poucas pessoas tenham acesso a ele. Poucos terão seu controle. Poucos poderão se dar ao luxo de dizer que o dominam. Assisti Avatar recentemente, e não relevando os erros geológicos grotescos do filme, uma coisa ele mostra bem: o capitalismo sobre as particularidades e minorias e o capitalismo sobre a colonização espacial. A menos que alguma forma de manutenção da economia surja nos próximos séculos, duvido muito que existirão mudanças no comportamento do ser humano. O espaço em breve será vítima da ganância humana, será vítima da sobreposição do lucro e dos investimentos.

Rainbow City by Gabriel Gajdos

O que sobrará no final? Se o ser humano se espalhar pelo universo criando colônias como ele criou nos continentes da Terra, dá para prever que ele espalhará todas as suas características como se uma caixa de Pandora cósmica fosse aberta. Existirão colônias boas e ruins, pobres e ricas, corruptas ou pouco corruptas - disso elas não fugirão - colônias distantes e próximas, vida aniquilada ou subjugada. Apesar de muito pessimismo, ainda exite bondade no ser humano. Uma raça totalmente desprovida de bons sentimentos nunca teria evoluído.

Seria bom levar essa bondade e altruísmo para o espaço. Mas como Avatar mostrou, os lucros obtidos com a mineração de um raro metal põe todos os bons sentimentos de lado. Tem quem diga que nunca teremos tecnologia para uma efetiva colonização do espaço. Ramsés dominou a Palestina com armas de bronze e bigas de madeira. Alexandre o Grande conquistou todo o Mediterrâneo em cima de um cavalo, liderando seus homens até a Índia. Átila desafiou o Império Romano no grito e na estratégia. Ou seja, não é preciso muito para o ser humano se aventurar pelo espaço se ele tiver o que precisa ao seu dispor. Quando a conquista começar, a data será celebrada. Será que lembrarão dela em mil anos?

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris